Para não esquecer – Campanha de roupas

No dia 08/11, o DACO entregou as doações de roupas e agasalhos para a Associação de Vítimas do Morro do Bumba. De agosto a outubro, o Diretório recolheu os donativos em uma caixinha colorida que ficava no segundo andar do IACS.

bghnbgtrfv

Mais do que uma entrega de roupas, o mais importante é perceber a urgência da mobilização coletiva para colocar a luta popular na agenda dos governos e dos demais poderes. O seu Francisco Ferreira, líder da Associação, recebeu os donativos e ficou responsável pela distribuição entre os mais necessitados. Ele está na militância diária desde 2010 para cobrar uma solução digna para as centenas de famílias que sofreram com o desmoronamento das suas casas, com a morte de parentes e que ainda sofrem com o descaso do poder político.

Hoje, ele e sua família moram em um conjunto habitacional construído pelo governo do Estado. Logo após a entrega dos apartamentos, o local já apresentava diversos problemas estruturais. As pessoas que não foram encaminhadas para o condomínio sobrevivem com o aluguel social de R$ 400.

A luta deles deve ser lembrada sempre. Não podemos deixar cair no esquecimento. Nós, enquanto estudantes e comunicadorxs, temos que nos movimentar na direção de uma sociedade e mídia solidárias, justas e democráticas.

Anúncios

Resultado da pesquisa de demanda de optativas

O Diretório Acadêmico de Comunicação Social (DACO – UFF) disponibilizou um formulário online em que xs alunxs puderam escolher as optativas de seu interesse. O objetivo era verificar as disciplinas mais demandadas pelxs estudantes e, assim, negociarmos a abertura em 2015.1. Abaixo, seguem as 20 disciplinas mais votadas. 88 alunos participaram da pesquisa.

Para acessar o resultado completo, clique aqui.

Disciplina Votos
Jornalismo esportivo 32
Audiovisual e mídias digitais 30
Comunicação e política 30
Oficina de fotografia 30
Comunicação e cultura brasileira 29
Documentário 28
Produção em rádio, TV e cinema 28
Comunicação comunitária 27
Jornalismo cultural 27
Literatura e comunicação 26
Fotojornalismo brasileiro 26
Cinema latino-americano 26
Digitalização e tratamento de imagens 24
Oficina de software gráfico 24
Crítica de televisão 24
Jornalismo e movimentos sociais 24
Agência de informação alternativa 23
Reportagem especial 23
Linguagem e poder 22
Mídia e religião 22

A disciplinas riscadas não são oferecidas mais pelo Departamento de Comunicação Social (GCO)

Somos todxs Comunicação Social

MANIFESTO CONTRA AS NOVAS DIRETRIZES CURRICULARES NACIONAIS DE JORNALISMO

 

Confira também no Issuu do DACO 

Nós, estudantes do curso de Comunicação Social da Universidade Federal Fluminense, representados pelo Diretório Acadêmico de Comunicação Social, vimos, através desse manifesto, manifestar nosso desacordo para com o Departamento do curso no que se refere à reestruturação do currículo à luz das Novas Diretrizes Curriculares Nacionais de Jornalismo (NDJ), estabelecidas pelo MEC a partir da resolução nº 1 de 27 de setembro de 2013.

O corpo discente definiu o seu posicionamento na Assembleia de Estudantes que ocorreu no dia 04 de novembro de 2014, obedecendo o quórum mínimo estabelecido pelo estatuto dos Centros e Diretórios Acadêmicos. A negação às NDJ foi decisão unânime dentre os presentes, contabilizando vinte (20) votos. A seguir, explicitaremos os principais motivos que nortearam o posicionamento dos estudantes sobre a questão.

Nós concordamos que a reestruturação curricular do curso seja necessária, de forma a atualizá-lo às novas demandas do mercado profissional de jornalismo e às características do egresso do ensino superior. No entanto, avaliamos que as novas diretrizes homologadas pelo MEC não contemplam as múltiplas realidades acadêmico-profissionais dos estudantes de Comunicação Social do país.

Começando pela criação do curso de Jornalismo, medida que o retira do campo da Comunicação Social e o transforma em uma área de estudos independente. Mas como é possível desconsiderar quão diretamente o Jornalismo dialoga com áreas como a Publicidade, Radialismo, Relações Públicas e tantas outras? Consideramos que a aplicação dessa lógica que segmenta cada vez mais as áreas de conhecimento, tendendo perigosamente ao tecnicismo, em nada contribui para a formação plena do estudante. A medida não se sustenta sequer na análise da estrutura atual do mercado da comunicação, que exige profissionais multidisciplinares, capazes de articular práticas e conhecimentos e se adaptar a diferentes contextos. Além disso, setorizar o ensino da Comunicação é uma tentativa clara de enfraquecer a reflexão sobre o seu caráter social, culminando na desmobilização de uma classe com amplos interesses em comum, tanto em âmbito acadêmico, quanto profissional. Por todos os motivos supracitados, somos veementemente contrários à separação do Jornalismo da área da Comunicação Social.

Além disso, consideramos a instituição do estágio curricular obrigatório um dos pontos mais críticos do documento. Primeiramente, avaliamos que a medida desconsidera a existência de estudantes que não pretendem seguir trajetórias profissionais voltadas para o mercado, como aqueles que almejam a carreira acadêmica. Muito nos preocupa, a falta de estrutura das universidades para garantir supervisão adequada da relação estagiário-empresa. Afinal, com a obrigatoriedade do estágio, a tendência, seguindo a lógica de mercado na qual as empresas estão inseridas, é que a bolsa-auxílio paga aos estagiários seja ainda menor do que é hoje, e as condições de trabalho, ainda piores. Essa medida desconsidera, ainda, a realidade dos tantos alunos cotistas e com renda baixa que existem na universidade, muitos dos quais frequentemente dependem de um emprego fixo para se manter na graduação. Com a obrigatoriedade do estágio, especialmente em um provável contexto de remunerações mínimas, essas pessoas estariam ainda mais expostas à condição de vulnerabilidade financeira, que afeta diretamente o seu desempenho no curso e até mesmo a sua possibilidade de permanecer na universidade. Por acreditarmos em um modelo de educação democrático que contemple as múltiplas realidades dos estudantes do nosso país e contribua para a vivência e permanência do estudante na universidade, somos veementemente contrários à obrigatoriedade do estágio curricular supervisionado.

Em terceiro lugar, pontuamos a problemática em torno do novo modelo de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Como sabemos, atualmente os estudantes de Comunicação Social da UFF podem elaborar o TCC de duas formas: projeto prático-experimental ou monografia de reflexão crítica sobre os fenômenos da Comunicação. Mas como consequência da retirada do Jornalismo do campo da Comunicação Social através da criação do novo curso, os trabalhos monográficos devem ser diretamente relacionados ao Jornalismo. A medida desconsidera que, em se tratando de Jornalismo, é inevitável abordar outros temas do universo da comunicação, ainda que não se relacionem diretamente com a área. E se os objetivos do TCC são ratificar as habilidades e competências adquiridas pelo estudante ao longo da graduação e garantir um legado de produção de conhecimento para a comunidade acadêmica, chega a ser contraditório que um curso que articula formação específica e humanística não culmine em trabalhos que dialoguem com outras áreas do conhecimento. Por defendermos a necessária multidisciplinaridade da formação e, consequentemente, das produções finais dos estudantes de Comunicação Social, somos veementemente contra a restrição temática do TCC.

Considerando, ainda, que o documento que implementa as NDJ tem caráter recomendativo, não se sobrepondo à autonomia de que disfrutam as Instituições Públicas de Ensino Superior para definir o seu próprio currículo, e que a resolução do MEC não contempla a formação na qual acreditamos, nós, estudantes de Comunicação Social da UFF, não tememos afirmar que somos contra as Novas Diretrizes Curriculares Nacionais do Jornalismo. Reforçamos, por meio desta carta, o nosso pedido para que este departamento repense a adesão às diretrizes e vote mais uma vez, agora à luz do posicionamento crítico dos estudantes. Ressaltamos que a negação das diretrizes não exclui a possibilidade de reformulação curricular ou descarta o trabalho desempenhado até o momento pelos professores de Jornalismo, em especial aqueles que compõem o Núcleo Docente Estruturante. Deixamos claro também que a presença dos estudantes, neste e em outros fóruns deliberativos, é um direito a que pretendemos fazer jus através de posicionamentos críticos e autônomos, na defesa dos interesses do corpo discente.

 

10 de novembro de 2014

Estudantes de Comunicação Social da UFF